sábado, 8 de fevereiro de 2014

Olhos

Olhos...
Retratam seu rosto, seu corpo.
Que se aproxima do meu.
Limitado a ver,
Os olhos se fecham
Dando espaço para os outros sentidos.
Sentidos estes,
Que sentem
O tocar no corpo,
O cheiro do calor prazeroso produzido,
Os gemidos, sussurros e a respiração, suave e constante,
Se entrelaçam
Entre desejos e prazeres.
E os olhos,
Apenas retratam o calor da paixão. 

Foi-se

Correria na favela.
Ouço sons secos e certeiros,
Som de morte.

Baixa a poeira.
Ouço sons de choro, de tristeza
Clamando e perguntando
Por quê?
Por quê?
Por quê?

Foi-se,
mais um corpo, caido ao chão.
Foi-se,
mais um sonho, mais um desejo.
Foi-se,
mais uma vida, mais uma alma,
mais uma esperança.
Foi-se,
mais uma alegria, mais uma tristeza
mais uma consciência.
Foi-se, um menino ou menina,
que aflito, apenas tentava realizar seus desejos.
Foi-se, mais um choro, mais uma mãe,
que sem consolo clama pela vida perdida de seu filho...

Passarela

Na passarela da vida
Caminhei por muitas ruas e avenidas.
Dei muito prazer, mesmo sem sentir nenhum.

Passaram tantos por aqui,
Mas nenhum ficou mais tempo que a solidão.
Solidão que invade meu peito,
Onde já não há mais coração.

Hoje modelo.
Entre tantas poses,
Já não é como antes.
Amor só senti quando nova.
Hoje o amor já me largou,
Como tudo na vida.
O que restou?
Cansaço, desprezo
De uma vida sem oportunidade.

Vilarejo

Há um vilarejo mais a frente,
onde poderei descansar meu corpo.
Corpo que aguentou os pesos desta vida.
Vida que busquei prazeres, mas por consequência
vieram também desprazeres.

Há um vilarejo mais adiante,
com ruas enfeitadas com pequenas pedras.
Com árvores que fazem sombras sobre os corpos a descansar.
Há também flores.
Flores que exalam o mais puro perfume de desejos acabados.

Há um vilarejo mais adiante,
onde todos os corpos poderão um dia descansar.
Onde os corpos se despedem da alma, do espírito, ao canto dos pássaros.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Silêncio




Silêncio, complexamente não existe.
Silêncio, simplesmente inaudível.


O silêncio clama por silêncio.
Mas que silêncio o silêncio quer?
O silêncio quer apenas que você o escute.
E como escutar o silêncio?
É só escutar o som, som que nasce em você.

Silêncio.
Ouço o silêncio.
Mas o que é ouvir o silêncio?
o silêncio clama por silêncio.
Mas que silêncio o silêncio quer?

Escuto o silêncio.
Mas o que é ouvir o silêncio?
O silêncio tem um som doce, um som que não tem fim.
Permanece para sempre.

Busco o silêncio em meio a grandes e exaustivos barulhos.
Busco o silêncio em meio ao barulho das casas, construções, automóveis, trânsito, enfim, tento encontrar o silêncio onde não há silêncio.

Silencioso fico.
Tento escutar, procuro o som do silêncio.
Mas será que o silêncio tem som?
Digo que sim. Por que ele não teria?
Cada ser pode encontrar seu silêncio e cada silêncio pode emitir o som que quer…
Basta apenas você encontrar o silêncio que quer…

O silêncio pode ser aquela quieta voz em sua mente que te faz pensar.
O silêncio pode ser aquela música que te faz suspirar de paixão, enlouquecendo seu coração.
O silêncio pode simplesmente não existir, ou, talvez, pode ser o canto dos pássaros em uma praça deserta.

O silêncio vai chegando.
Às vezes surge à noite, impedindo que eu durma, tornando-se mais barulhento que o próprio barulho.
Ou, então, ele chega em uma bela tarde com aquele canto suave e tranquilo, acalmando minha alma e aliviando o meu espírito.

Naturalmente Morte

Morte,
Quando vier,
Venha sem dor.
Derrube meu corpo sobre o chão.
Quero que o enterre nu, suavemente nu.
Pois com o tempo,
Se decompõe naturalmente,
E ser entregue à natureza.
Quero que sobre o túmulo não jogue plantas mortas.
Quero que plante flores, de vários tipos
Para elas se nutrirem dos
Prazeres, desprazeres, tristeza,
Amores, amantes, paixões, raiva...
Que passei por esta vida.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A banda

A banda passou
Os problemas continuam
As meninas e os meninos continuam sem escola pública de qualidade
Os meninos e as meninas continuam sem área de lazer para correr e para brincar
As meninas e os meninos continuam sem arte, sem música e sem cantar
Os meninos e as meninas continuam a passar frio e fome nas ruas das grandes cidades
As meninas e os meninos continuam a ter filhos sem ter espaço que discuta sobre o assunto
Os meninos e as meninas continuam a lutar pelas suas vidas fazendo tudo o que se tem para fazer
As meninas e os meninos continuam a não acreditar na vida, que é roubada pela sociedade capitalista

A ceia

Está aí
O corpo sobre a mesa
Rodeado pelos carniceiros da sociedade,
Que esperam ansiosamente a badalada do sino da igreja para iniciar a ceia.

Este corpo nu e sem força, agonizado e aflito, espera
Atento a cada movimento
Pelo seu fim

Meia-noite,
Sinos tocam
A ceia está posta
Em minutos o corpo é estraçalhado
Sobrando apenas a carcaça

E agora?
O corpo foi apenas mais um, entre milhões que se fez servir aos carniceiros do capitalismo.

Sonho concreto

Como podes dormir dessa maneira,
Neste chão duro, com apenas um travesseiro que apoia sua cabeça?
Como podes dormir nesse local,
Sem um cobertor, nesta noite fria onde a alma congela?

Durmo, apenas durmo.
Porque é no sonho que tento sonhar com uma cama macia e confortável.
É no sonho que tento sonhar com o manto que sobre o meu corpo me enche de calor.
É no sonho que sonho que minha vida é farta e sem fim.

Louco

Louco fico,
Fico louco.

Louco sem saber pensar.
Louco sem saber escrever.
Louco com o tempo a passar.
Louco sem saber me expressar.

Louco, louco, louco

Louco no escuro do quarto
sem querer mostrar os quadros.
Louco no escuro da solidão
sem querer mostrar a paixão.
Louco de tudo.
Louco que atormentado
se sente fracassado.

O calor do prazer

O calor do corpo
Enche a alma de suor,
Que chora
Sem se entregar aos prazeres da vida.
Pensamentos se perderam.
Palavras se foram.
O que sobrou
Foi o vazio
Que se espalhou.
Se espalhou
Por toda a mente,
Por toda a alma.
Trazendo tristeza e solidão.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Caminhos de uma vida

Canto, canto, canto.
Danço, danço, danço.
Vivo, vivo, vivo.
E encanto, encanto, encanto.

Vou assim
Pelos caminhos,
Cantando
E quebrando o muro da solidão,
De um povo que sofre,
À espera de uma vida melhor...

Vou assim
Pelos caminhos,
Atravessando fronteiras.
Chegando a lugares novos,
Com pessoas novas.
Dançando as vidas a passar.

Vou assim
Pelos caminhos,
Chegando no fim.

Andei por tantas vidas,
Encantando, encantando
As pessoas, as vidas
Por onde passei.

Colorida

Cada um tem sua morte.
Cada qual vê sua morte.
Espero que quando morrer,
Ela venha cantando.
E toda colorida,
Envolva minha alma em seus braços.
E dançando,
Vamos em busca da eternidade.

O "bicho"

Corre, corre.
Não sabe onde se esconder.
Talvez debaixo da mesa,
Ou ainda debaixo do sofá.
Mas será o que que esse bicho tem?
Tem medo?
Ou eu que estou com medo dele?
Fico aflito, vendo ele correr pra lá e pra cá.
Com medo de dormir e ele vir me machucar,
Pois estou invadindo seu lugar.
Mas acabo com isso já
É só pegar o chinelo,
Que esse bicho vai parar,
E nunca mais viver.
Sem perceber,
O bicho tenta se esconder...
Mas do quê?
Do bicho homem
Que acaba de tirar sua vida,
Sem saber que quem estava com medo era o bicho,
Que não tinha onde sobreviver.