segunda-feira, 29 de agosto de 2016
Dança livre do corpo
Diariamente
Acordado ou dormindo
No concreto ou no abstrato
Na loucura ou na lucidez
No profano ou no sagrado
Nosso corpo dança
Dança o ritmo
do caminhar
do correr
do balançar do ônibus
do ritmo, sem ritmo
No molejo duro do corpo,
o corpo dança
Ser
Cinza,
Escuro,
Preto.
Sem
identidade
O sujeito
feito de história
Se perde
no concreto certo da sociedade.
Em seu
corpo, introjetam os saberes que não o serve
Em seu
corpo introjetam o esquecimento de sua origem
Em seu
corpo introjetam a cultura branca, a roupa branca, a língua branca
Em seu
corpo, violenta seu ser, sua identidade, seus desejos e prazeres
Em seu
corpo fica a ferida exposta
Do ser
que deixou de ser
E passou apenas a reproduzir
Reproduzir
a alienação de tudo aquilo que não o serve
De tudo
aquilo que não servirá a ninguém.
Arrepio de Morte
Arrepio de morte.
Preso
A cultura da punição.
Segue o corpo preso.
Preso
As leis ambíguas e sem garantia.
Segue o corpo preso.
Preso.
Violentado, machucado,
Corpo ao frio, sente as feridas sangrarem.
Arrepio de morte.
Preso
"Menor". Negro. Pobre. Favelado. Sem direito à vida.
Segue o corpo preso.
Preso
A desigualdade social
Segue o corpo preso
Preso
A sociedade meritocrática, capitalista, neoliberal. Que mata, tortura, rouba e cria ilusões as almas perdidas, que luta pela existência.
Segue o corpo preso.
Preso. Preso. Preso
Talvez o corpo vai sem rumo. Ou com um rumo já decidido, pela moralidade e normalidade da sociedade.
Mas assim vai o corpo sempre preso. Amarrado. Pelo tradicionalismo. Preso as grades, marginalizado pelo desejo de consumo. Preso pelo o não poder viver livre.
Cada corpo Em seu corpo,
Caminha nesta vida sentido,
Sentindo a solidão.
A solidão de cada alma deixando seus corpos...
Arrepio de morte.
Olhar
Olhar.
Cada arrepio.
Olhar.
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
Alma, corpo, Sensível
Alma
Sensível.
Habita um corpo.
Que sofre as dores
Ferindo a alma
Que pede socorro
Que pede pra ser livre
E poder voar pra o infinito do nada.
Sensível.
Habita um corpo.
Que sofre as dores
Ferindo a alma
Que pede socorro
Que pede pra ser livre
E poder voar pra o infinito do nada.
Corpo seco
Corpo seco.
Seca, da pele brota feridas
Que expelem sangue
Que escorrem pelo corpo
Libertando a alma.
Seca, da pele brota feridas
Que expelem sangue
Que escorrem pelo corpo
Libertando a alma.
Sem Sentido, Sentindo
As manhãs
São depressivas...
São depressivas...
As tardes doloridas...
Nas noites,
Meu corpo agonizado chora,
Chora pela morte sem coragem...
Meu corpo agonizado chora,
Chora pela morte sem coragem...
Os dias são sem sentido.
Sociedade
Talvez a loucura
seja somente minha.
Não consigo,
Não suporto.
seja somente minha.
Não consigo,
Não suporto.
Hipócrita,
Isolente.
Não me aceitam,
Não me enquadro.
Isolente.
Não me aceitam,
Não me enquadro.
Padronizados, robotizados,
Controlados, normalizados.
Vive a sociedade.
Controlados, normalizados.
Vive a sociedade.
Bora se pegar?
Vamos se pegar?
Não importa a hora e o lugar...
Só quero imensamente saciar esse desejo que tenho do seu olhar.
Vamos nos beijar?
Não importa o dia, a hora, nem lugar...
Só quero poder sentir seus lábios tocarem os meus, e podermos senti o gosto louco do prazer.
Vamos se pegar?
Com roupa ou sem roupa...
Só quero sentir seu corpo, e sobre sua pele desenhar os arrepios de desejos, te proporcionando um êxtase de prazer...
Bora nos pegar... que já demorou..."
Não importa a hora e o lugar...
Só quero imensamente saciar esse desejo que tenho do seu olhar.
Vamos nos beijar?
Não importa o dia, a hora, nem lugar...
Só quero poder sentir seus lábios tocarem os meus, e podermos senti o gosto louco do prazer.
Vamos se pegar?
Com roupa ou sem roupa...
Só quero sentir seu corpo, e sobre sua pele desenhar os arrepios de desejos, te proporcionando um êxtase de prazer...
Bora nos pegar... que já demorou..."
Dança, cadê?
Ninguém para essa dança...
Ninguém para me dançar...
Cadê?
Cadê as pessoas?
Pessoas que se movimentam na pura dança...
Pessoas que se encontram no contato dessa dança, cheio de harmonia...
Cadê o contato?
Contato que atrai os corpos...
Contato que faz transmitir energia, prazer, calor...
Calor que aquece os corpos e se explode
em movimentos que vão desenhando os sentimentos...
Que vão desenhando os prazeres da vida...
Cadê as pessoas para essa dança?
Ninguém para me dançar...
Cadê?
Cadê as pessoas?
Pessoas que se movimentam na pura dança...
Pessoas que se encontram no contato dessa dança, cheio de harmonia...
Cadê o contato?
Contato que atrai os corpos...
Contato que faz transmitir energia, prazer, calor...
Calor que aquece os corpos e se explode
em movimentos que vão desenhando os sentimentos...
Que vão desenhando os prazeres da vida...
Cadê as pessoas para essa dança?
Teia, lábios, psicodélicos
Sua teia,
Tecida com fios psicodélicos,
Atrai xs loucxs,
Que se trançam nos seus braços,
Desejando seus lábios molhados de veneno.
Tecida com fios psicodélicos,
Atrai xs loucxs,
Que se trançam nos seus braços,
Desejando seus lábios molhados de veneno.
Infância
Nasci, vivi e estou preste a morrer.
Sentido...
Sentindo...
Sentidos...
Criança, criatura, criativa.
Assim foi de árvores em árvores,
Assim foi de pega-pega, de esconde-esconde, de pega-pega alta, pega-pega baixa, de alegrias e alegrias.
Minha infância a mais perfeita das infâncias.
Nela pude correr, criar e imaginar.
Dela pude me deliciar das frutas direto do pé, da mangueira, da goiabeira, da jabuticabeira.
Ah que doce foi essa infância.
Mas também amarga. Ao mesmo tempo em que corríamos no pega-pega, outros corriam das balas. Corriam da margem do abismo, que se abria engolindo as almas para um caminho sem volta.
Sangue escorrendo, pessoas chorando, a família morrendo. A criança... As infâncias... Viam, assistiam e choravam. Choravam pela perda do primo, do irmão, do pai. Choravam do tiro ouvido na noite passada.
As memórias...
As crianças...
As brincadeiras.
Nas traquinagens, as crianças se distraem, se esquecem das balas, das gotas de sangue que escorrem dos corpos.
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