domingo, 17 de janeiro de 2016

Traição

Oh Diabo...
Seus cornos a mostra.
Mostram a mais sacana das traições.

Oh Diabo...
Quem te traiste?
Será que foram os anjos?
Ou o divino Deus?

Paz

Paz
A morte da alma.
A decomposição da matéria.
Paz
A involução da racionalidade.
A invenção do normal, do quieto.
Paz
A filha da guerra,
A irmã da morte.

Lágrimas

Lágrimas...

Desenham a nascente do rio,

Que sem vida,

Logo se seca,
Deixando o gosto doce da seca.

Transcender

Pra que estar vivo,
Se existe uma eternidade...

Deixo meu corpo.
Me desligo da matéria.
Minha energia transcende,
Indo além do cosmo,
Dando origem a outro universo.

Vou voo

Vou...
Voo...
Vou...
Voo...
Vou...

O corpo foi.
O corpo voou.

Foi...

Se jogou,

E em queda livre...

Voou para morte.

Sensação

A sensação de estar morto,
É se encontrar com a paz.
É não sentir mais a dor da solidão.
É não sentir mais a dor que os outros lhe causa.
É sentir seu corpo se perder sobre a cama.
É sentir sua boca secar,
Sem ter água para saciar sua sede, mesmo bebendo-a.
É sentir várias vidas ao seu redor e mesmo assim se sentir só.
A sensação de estar morto...

Sol só

Sou só...
Sol sou...
Sou só...
Sol sou...

Em meio a essse universo,
Estar só é ser o sol.

Sempre só.
Eternamente só.

Essa talvez seja minha inspiração,
Minha motivação,
De encontrar na solidão
A essência da vida.

Sol sou...

Solto preso

Não se soltar.
Não se prender.

Meu corpo,
Minha mente.

Um disfarce.

Um solto,
Porém preso.

Preso aos sentimentos,
Que ferem o corpo, a mente.
Que ferem a vida.

Queda livre

Em queda livre...
O corpo se desmaterializa.
Em queda livre...
A alma,
Antes presa, se liberta.
Em queda livre...
A alma voa,
Voa para fora da realida.
Em queda livre...
O corpo se quebra.

Cadela

Vai vagando,
A cadela pela rua.
Insana,
Profana,
Prostituta,
Impura.
Lambe, mija,
Goza e chora...

Caminha, caminha...
Sem rumo
Vai a santa cadela pela rua.

As mãos

As mãos...

Percorrem sobre a pele,
Desenhando as curvas do desejo.
Fazendo-o sentir arrepios
Que te faz gemer de prazer.

As mãos.

História concreta

Branco,
Cinza, 
Preto.
Sem identidade,
O sujeito feito de história
Se perde no concreto Certo da cidade.

Dança subjetiva

Diariamente...
Acordado ou dormindo,
No concreto ou no abstrato,
Na loucura ou na lucidez,
No profano ou no sagrado,
Nosso corpo dança.
Dança o ritmo do caminhar.
Dança o ritmo do correr.
Dança no balanço do ônibus
Dança o ritmo, Sem ritmo, No molejo duro do corpo...

Olhar

Olhar.
Penetra,
Explora um corpo, uma mente.
Penetra no desejo.
Penetra no prazer.
Observando...
Cada sensação,
Cada estímulo,
Cada arrepio.
Olhar.

Arrepio de morte

Arrepio de morte.

Preso...
Preso à cultura da punição.
Segue o corpo preso.

Preso...
Preso as leis ambíguas e sem garantia. Segue o corpo preso.

Preso, Violentado, Machucado,
O corpo ao frio sente as feridas sangrarem.

Arrepio de morte.

Preso...
Menor. Negro. Pobre. Favelado. Sem direito à vida.
Segue o corpo preso.

Preso...

Preso à desigualdade social. Segue o corpo preso.

Preso...
Preso à sociedade meritocratica, capitalista, neoliberal, que mata, tortura, rouba e cria ilusões nas almas perdidas, que luta pela sua existência.
Segue o corpo preso.

Preso. Preso. Preso.

Talvez o corpo vai sem rumo. Ou com um rumo já decidido, pela moralidade, normalidade e pela ideologia da sociedade capitalista.

E assim vai o corpo sempre amarrado.
Amarrado, pelo tradicionalismo. Amarrado pelas grades abstratas.
Marginalizado pelo desejo de consumo. Preso pelo o não poder viver livre.

Cada corpo. Em seu corpo,
Caminha nesta vida sentindo,
sentindo a solidão.
A solidão de cada alma deixando seus corpos...

Arrepio de morte.