domingo, 17 de janeiro de 2016

Arrepio de morte

Arrepio de morte.

Preso...
Preso à cultura da punição.
Segue o corpo preso.

Preso...
Preso as leis ambíguas e sem garantia. Segue o corpo preso.

Preso, Violentado, Machucado,
O corpo ao frio sente as feridas sangrarem.

Arrepio de morte.

Preso...
Menor. Negro. Pobre. Favelado. Sem direito à vida.
Segue o corpo preso.

Preso...

Preso à desigualdade social. Segue o corpo preso.

Preso...
Preso à sociedade meritocratica, capitalista, neoliberal, que mata, tortura, rouba e cria ilusões nas almas perdidas, que luta pela sua existência.
Segue o corpo preso.

Preso. Preso. Preso.

Talvez o corpo vai sem rumo. Ou com um rumo já decidido, pela moralidade, normalidade e pela ideologia da sociedade capitalista.

E assim vai o corpo sempre amarrado.
Amarrado, pelo tradicionalismo. Amarrado pelas grades abstratas.
Marginalizado pelo desejo de consumo. Preso pelo o não poder viver livre.

Cada corpo. Em seu corpo,
Caminha nesta vida sentindo,
sentindo a solidão.
A solidão de cada alma deixando seus corpos...

Arrepio de morte.

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