segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Infância



Nasci, vivi e estou preste a morrer.
Sentido...
Sentindo...
Sentidos...
Criança, criatura, criativa.
Assim foi de árvores em árvores,
Assim foi de pega-pega, de esconde-esconde, de pega-pega alta, pega-pega baixa, de alegrias e alegrias.
Minha infância a mais perfeita das infâncias.

Nela pude correr, criar e imaginar.

Dela pude me deliciar das frutas direto do pé, da mangueira, da goiabeira, da jabuticabeira.

Ah que doce foi essa infância.

Mas também amarga. Ao mesmo tempo em que corríamos no pega-pega, outros corriam das balas. Corriam da margem do abismo, que se abria engolindo as almas para um caminho sem volta.
Sangue escorrendo, pessoas chorando, a família morrendo. A criança... As infâncias... Viam, assistiam e choravam. Choravam pela perda do primo, do irmão, do pai. Choravam do tiro ouvido na noite passada.

As memórias...
As crianças...

As brincadeiras.
Nas traquinagens, as crianças se distraem, se esquecem das balas, das gotas de sangue que escorrem dos corpos.

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