Escrita sobre rastro de aulas…
Escrevo para você que consegue, de alguma forma, traduzir esses símbolos, que formam palavras, frases, parágrafos. E aos poucos foi se construindo e se organizando em texto, podendo ou não trazer algum sentido, algum afeto. Ou podendo trazer apenas palavras perdidas nos papéis. Porque até para quem escreve questiona sobre a necessidade de dar ou não sentido a este texto. No entanto, quem escreve, de certa forma, está preocupade pelas possíveis construções: das narrativas, das paisagens, dos ritmos, da estética. Pois, a escrita para mim, sempre se coloca em uma dimensão que leva tempo, é um respirar, é um percurso, um deixar os pensamentos, as reflexões se acalmarem em um corpo ansiose, que internamente são trilhões de informações chegando, e com isso, gerando muitas reflexões, sensações e pensamentos… O processador não dá conta, entra em pane…
“[...] Pane no sistema alguém me desconfigurou, aonde estão meus olhos de robô [...]”.
Acho que estou deixando ou voltando a ser humane? Ou sou apenas uma vida bugada, danificada, pois não dou conta dessa organização de sociedade na qual vivemos. Não dou conta de assimilar tantas informações e das necessidades das relações sociais, hoje em dia, estarem muito carentes e em diálogos intenso com a tela, mesmo junto do outro o que prevalece é o diálogo com a tela... “você viu aquele meme”… “você viu aquela notícia”… “você viu aquele vídeo que postei”… “você está curtindo minhas fotos”…
Não vi nada [kkkk]... Estou perdide no meu tempo, no meu espaço, no meu mundo caótico… estou perdide na roupa que tenho que costurar, na trilha, no mato… Estou embolade na linha do crochê, do tricô, no trabalho… Estou com curiosidade e acompanhando as notícias sobre os OVNIS, sobre ETs… Sobre a política nacional… Estou com ódio dos conflitos geopolíticos, dos conflitos contra os povos originários… do conflito humane contra sua própria natureza… Estou em conflitos com minha ansiedade, depressão e medicações… Estou tentando dar conta de compreender, de respeitar, mesmo no caos, o meu modo de estar e ser no mundo…
Mas voltando ao ato da escrita, ou nesse lugar de expressão pelas palavras, é isso, para mim, ela está neste lugar de tentar construir uma imaginação, uma sensação, uma história, uma dança ou talvez nada, que possa ou não fazer sentido, mas que é sobre pedaços escritos de experiências e reflexões que leva tempo para ser discorria no papel. E com isso, me sinto menos ansiose para este momento de parar e permitir debruçar na composição desse corpo-palavras que não é linear no tempo, no pensamento, no corpo e nem no espaço. Não é sobre ordem cronológica, mas uma mistura de tudo aquilo que pode compor essa narrativa. São palavras, frases, movimentos, dança, rolamentos, estrelinhas, cambalhotas, paisagens, sons, músicas, naturezas, emoções, sensações, sentimentos, vidas, que vão sendo costuradas e formando texto.
E nessa busca pelo sentido me amarro com a educação, pois é sobre a aula. É sobre o afeto. É sobre como a aula me ajudou a descobrir e redescobrir habilidades adormecidas do corpo - seja pensando na questão de movimento ou de aprender alguns dos elementos da arte circense vivenciados em aula. É sobre o corpo... E movimentar o corpo, não está apenas na superficialidade do movimento capitalista de existência e consumo no mundo. É profundo, e me leva para outros lugares dentro de mim, outros espaços que estão pulsando por uma necessidade enorme de ser ouvida, tocada, degustada, olhada, sentida, percebida, acolhida… O movimento pode levar o corpo a se aprofundar no próprio corpo. E nesse aprofundar, é escolher iniciar uma aventura. Então, trago pedaços desses pensamentos, sensações, memórias, emoções, que foram sendo mostrados durante o percurso na matéria Fundamentos do Circo no período de 2026.1.
O mundo vira na cambalhota. Tudo que está embaixo vai para cima, tudo que está em cima vai para baixo. Mas onde fica o chão, onde fica o céu? Onde é em cima, onde é embaixo? Onde está o corpo, de cu pro céu, de pé pro chão, de cabeça pra nada? Onde e como está o corpo?...
E rolando segue o corpo no trajeto! Cada momento do caminho uma tentativa e necessidade de respirar, de dar uma pausa, de se permitir sentir o afeto das vidas, do espaço . É permitir sentir a pulsão que o movimento causa no corpo! É o coração que bate, é o sangue que alimenta cada pequena parte do corpo… Dá oxigênio que gera movimento e surge energia…
Algo pulsa!
Algo vive!!!
E na brisa do rolamento memórias de coluna!!! No rolamento um reencontro com uma lembrança. Uma memória corporal. Um pedaço que compõem esse corpo e vem do Contato Improvisação, MATERIAL PARA COLUNA DE STEVE PAXTON….
UM ROLAMENTO, UM DESENROLAR DE COLUNA, QUE MOSTRA EM ESTALOS ESPAÇOS QUE ESTÃO SENDO REDESCOBERTOS E SENDO OCUPADOS PELO MOVIMENTO DE ROLAR, DE FLEXIONAR, DE TORCER… É PELA COLUNA QUE PASSA OS FIOS DE ALTA TENSÃO PARA SEREM DISTRIBUÍDOS PELO CORPO… É UM CHOQUE… uma estrutura que permite conexão, diálogos entre as partes do corpo E COM O MUNDO.
NO ROLAMENTO A COLUNA SE CURVA, SE VIRA, SE MOVIMENTA EM UM SENTIDO CERTO, RETO, DIRETO… CHEGANDO NA MARGEM DO ABISMO…
RESPIRO!!!
O SUOR ESCORRE PELOS VALES, PLANÍCIES, DEPRESSÕES, PELA PELE SECA… O SUOR ESCORRE PELA GEOGRAFIA DO CORPO… O SUOR ROMPE COM O LIMITE, COM O TERRITÓRIO DO CORPO! E ASSIM, O CORPO pode escorregar, SE LANÇAR NO ABISMO…
UMA ESCOLHA!!!
AS MÃOS TREMEM, SERÁ QUE ME SUPORTA? SERÁ QUE DOU SUPORTE AO MEU PRÓPRIO CORPO?
AVENTURAR-SE NO ABISMO NOS PERMITE QUESTIONAR O NOSSO PRÓPRIO ESTAR NO MUNDO.
AVENTURAR-SE NO ABISMO É ENCONTRAR VÁRIAS DE NÓS E TENTAR APRENDER A LIDAR, COMPREENDER AS TANTAS QUE EXISTEM EM nós, QUE É CONFUSA, EGOCÊNTRICA, NARCISISTA, DEPRIMIDA, ANSIOSA, ALEGRE, TRISTE, IMPULSIVA, MEDROSA, INDIVIDUALISTA, COLETIVA, ESTRANHA, ANARQUISTA, COMUNISTA, DOIDA, TRANQUILA, CONTRADITÓRIA, BOA, MÁ, OBJETIVA,MACONHEIRA, SEXUAL, INDECISA, ASSESSEXUAL, AGENERA …
AVENTURAR-SE NO ABISMO É ENCONTRAR COM AS EMOÇÕES, SENTIMENTOS E TENTAR NAS DIFERENTES CONDIÇÕES Do percurso da VIDA MANTER MINIMAMENTE uM EQUILÍBRIO…
“[...] Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar [...]”
Azar…
E O QUE É A VIDA? SENÃO UM MOVIMENTO QUE GERA ENERGIA E ATRAVESSA E SE DEIXA SER ATRAVESSADa POR OUTRAS VIDAS. E DESSE ENCONTRO UM DESEQUILÍBRIO, causando UMA DOR, uma alegria, UMA POSSIBILIDADE DE SENTIR, E DEIXAR O CORPO REGISTAR EM SUA pele NARRATIVAS de UMA EXPERIÊNCIA VIVIDA.
O QUE É A VIDA? SE NÃO UM ATO DE SE DEIXAR SER ATRAVESSADE PELO ABISMO E NO PURO CAOS DO CORPO, TENTAR SUPORTAR, TIRAR DESSA EXPERIÊNCIA UM APRENDIZADO, E ASSIM, CONSTRUIR HISTÓRIAS…
SERÁ QUE DOU SUPORTE AO MEU CORPO? SERÁ QUE AGUENTO ESSA FORÇA PESO DA AÇÃO DA GRAVIDADE SOBRE O MEU CORPO?
NA PARADA DE MÃO O BRAÇO SEMPRE QUER FLEXIONAR. CADÊ O BOTÃO PARA NÃO FLEXIONAR? Falta força nos braços… UMA AGONIA!!! Parece que o mundo cairá sobre a cabeça, amassando-a até romper com seus limites e explodir em PEDACINHOs pelo espaço, PODENDO assim, compor outras possibilidades de existência em outro ponto do espaço!!!
AGORA PÉS SÃO MÃOS. MÃOS são PÉS … O cu virado rindo pra Lua… E um fluxo mais intenso de sangue que segue concentrando na cabeça, nos braços, que pulsa se mostrando nas veias que saltam e se exibem sob a pele…
Há tantas possibilidades de estar no mundo, mas uma coisa é certa, suporte é fundamental, o corpo que não consegue, dentro das Ns possibilidades, se suportar não consegue se permitir vivente no mundo.
Um suporte de corpo que não está apenas pensando em sua estrutura material, em seu peso em relação a força da gravidade e não deixar se render a essa força. Mas, também, um suporte, no qual, o corpo tenta ter ciência que suas emoções e sentimentos poderão ser abalados ao se aventurar pelo mundo. E no pior momento de caos, continue a respirar!!! Continue a respirar!!! Continue a respirar!!! ...
E se cair!?
Do chão não passa!
Queda!!!
E em diálogo com as aulas encontro em minhas lembranças as práticas e estudos sobre a queda, no Contato Improvisação. Sobreviver à queda não significa evitar cair, mas desenvolver um corpo atento, capaz de distribuir o impacto, ceder peso e reorganizar-se continuamente. A queda deixa de ser um erro e passa a ser uma oportunidade de descoberta do movimento. O corpo aprende a confiar nos próprios reflexos, na relação com o chão, com o outro e com o mundo. Transformando o desequilíbrio em continuidade de movimento.
E NA QUEDA, reENCONTRO STEVEN PAXTON. E NA MENTE A IDEIA DE NÃO LUTAR OU RESISTIR A GRAVIDADE NA QUEDA, MAS PERMITIR UM DIÁLOGO, NO QUAL O CORPO POSSA ENCONTRAR, NA QUEDA, UMA MANEIRA DE DESLIZAR, ESCORREGAR. DEIXAR O CORPO ENTREGUE A GRAVIDADE E SE PERMITIR SENTIR O PESO DO CORPO SE REORGANIZAR NO ENCONTRO COM O CHÃO, para a realização da cambalhota…
E NA QUEDA PELO ABISMO DO CORPO SIGO. AINDA SEM SABER ONDE ESTÁ O CÉU OU O CHÃO. É UM DESAFIO QUE GERA MEDO, INSEGURANÇA. POIS APROFUNDAR DO CORPO POSSIBILITA O ENCONTRO COM A INCERTEZA. E É NA INCERTEZA QUE ESTÁ O AFETO. E DEIXAR AFETAR ABRE CAMINHO PARA AS EMOÇÕES, SENTIMENTOS, E ASSIM, REGISTRAR NA PELE EXPERIÊNCIA. Talvez seja isso que Jorge Larrosa chama de experiência. Não aquilo que acontece, mas aquilo que nos acontece. O que atravessa a pele, desloca certezas, reorganiza o corpo e permanece pulsando.
E volto para o suporte, e sabendo me suportar, consigo suportar o outro e o outro e o outro. E assim, construir um coletivo, que na singularidade de cada um, buscamos algo comum na construção de pirâmides. E aqui percebo. A estrutura tem encaixe, tem que saber, nas suas singularidades, se encaixar no outro possibilitando um suporte que aguente o peso, as emoções, as ansiedades do outro. Permitindo assim, que a energia flua. E na pirâmide, os músculos da coxa queimam! Estar em coletivo é se sentir junto com o outro, é saber que cada um nessa estrutura é suporte um do outro.
Energia!!!
Limite …
Entrega!
Até onde o corpo pode ir?
Qual é o limite do corpo?
O corpo na sua natureza fluida se percebe que a fluidez está bloqueada… medo… insegurança… a ansiedade aperta… respira!!! Respira… Fazer o exercício da respiração ajuda a controlar a ansiedade em alguns momentos leve de crise. [Kkkkkk] o corpo treme, calafrios, uma respiração ofegante!!!
Nas aulas a ansiedade se revela… O suor, também, sempre se mostra presente. É muita força para realizar um exercício? Só um levantar de braço e escorrego em mim mesma pelo suor da pele. Força desnecessária? Suor sempre é um marcador da presença da ansiedade.
Agora o suporte é coletivo, e na atual conjuntura política precisamos de uma construção coletiva. O que é comum a todes nós? SAÚDE, EDUCAÇÃO, LAZER, CULTURA, SEGURANÇA, ALIMENTAÇÃO, DIGNIDADE, FESTA, HUMANIDADE…
E NESSE COLETIVO QUE SE CONSTRÓI DAS SINGULARIDADES DOS CORPOS, A AULA TORNA-SE ESPAÇO DE AFETOS. UMA COLUNA QUE CONSTRÓI PONTE, PERMITINDO CONEXÃO, PASSAGEM, CAMINHO. QUE LIGAM OUTROS MUNDOS. UM ABRIR DE CORPO PARA O MUNDO E PARA OUTRAS VIDAS. SEMPRE UM ENCONTRO E DESSE ENCONTRO BUSCAMOS QUEBRAR BARREIRAS QUE POSSAM LIMITAR O CORPO. BUSCAMOS EDIFICAR PIRÂMIDES QUE TRAZEM EM SUA ESTRUTURA HISTÓRIAS DE OUTRAS VIDAs!
MEU CORPO, UMA MINA BROTANDO ÁGUA… A ANSIEDADE TAMBÉM SE DÁ PELO OUTRO. ESTAR EM COLETIVO É SEMPRE UMA QUESTÃO.
CENTRO, PESO, GRAVIDADE! A FÍSICA DO CORPO SE COLOCA. CADÊ O EIXO? FECHA O ABDÔMEN! FORÇA NO BRAÇO! SE PERCEBA!
NA ESTRUTURA DA PIRÂMIDE E DO CORPO , ALGO EM COMUM, O ENCAIXE PARA PODER SUSTENTAR, PARA PODER SUPORTAR.
VETOR!
EM QUAL[IS] DIREÇÃO[ES] ESTÁ INDO A FORÇA? DEIXE PASSAR, FLUIR, PELAS ARTICULAÇÕES, PELAS CONEXÕES ENTRE OS CORPO, PELO CONTATO… ATÉ CHEGAR NA RAIZ E SE ESPALHAR PELO CHÃO.
O ABDÔMEN GRITA NÃO TEM FORÇA PARA LEVANTAR A PONTE!!! AAAH
A NOITE ACOMPANHADA DO CÉU ESTRELADO GRITA EM TIROS. LONGE, MAS PERTO. UM SOM QUE CHEGA NA AULA CONSTRUINDO UMA NARRATIVA QUE AOS POUCOS SE DISSIPA NO AMBIENTE FEITO FUMAÇA… é quarta feira os tiROS pode ser em comemoração ao futebol…
A BIOMECÂNICA DO CORPO SE FAZ PRESENTE ASSIM COMO AS EMOÇÕES e O CUIDADO com O OUTRO E com O PRÓPRIO CORPO
TULE… UM PESO, UMA DENSIDADE… GRAVIDADE, MASSA, VENTO…
QUAL É MINHA MASSA?
QUAL É A MINHA FORÇA PESO?
QUEDA LIVRE! O TULE MAIS DENSO, COMPRIMIDO, cai mais RÁPIDO. SE ESTIVER ABERTO DEMORA A CAIR…
E O CORPO ? PODE SER MAIS LEVE ? PODE SER MAIS PESADO? CONTRAÇÃO e RELAXAMENTO! Comprimido e expansivo
A noite hoje está nublada. Sons de grilo, do ônibus, dos carros, de passos, do vento, do escuro… sons do silêncio. Hoje nenhuma estrela se mostra. É bom sentir a brisa, traz para o corpo a calmaria, a leveza e a sensação de estar sendo levada pelo vento, se deixando flutuar no ar. E nesse momento da vida redesenho, recomeço, refaço novos caminhos. Desde criança meu corpo é colocado em questão. Ora brincava de boneca, ora de bola, ora de nada! Menino? Menina? Viadinho! Boiolinha! Bixinha! Vira homem!!! E sozinho vou introjetando no meu corpo um ser que foge do feminino, mas que também não se identifica como masculino. Me visto de algo que não sou, me guardo, uma forma de se proteger dos preconceitos, dos constrangimentos e das violências, já que sempre passei por esses momentos sem ter alguém a recorrer ou pedir ajuda… Então me fecho, me silencio e na adolescência um corpo fechado! Na família percebi uma certa exclusão vindo das partes masculinas (pai, tio, primos, irmão) e me recolhi junto das mulheres (mãe, avós, tias e primas), pois de certa forma era com quem me identificava e me acolhia. Então, por ser essa criança que fluía entre apresentar gestos, comportamentos femininos E masculinos, fui aprendendo a lidar, de certa forma, com a exclusão, e com isso, fui ainda mais ficando no meu mundo particular. E aos poucos esse corpo vai sendo moldado a aprender a ser mais “normal”. Mas o que é ser normal? E hoje me busco na infância, na não binaridade agenera que já existia em mim.
As escritas são sempre no fim. Então, sempre comecei pelo fim. Pois, os pedaços de escritas que formam este texto vieram sempre depois da aula. E no corpo ficou rastros, marcas, memória, sensações, emoções, que deixa o corpo mais ativo, aberto para viver . E aqui estou vivendo na ação de construção deste texto sob o luar que transita de lua cheia para decrescente até minguar para renascer. E nessa última lua cheia, também, ocorreu um fenômeno, a Lua azul.
Uma brisa atravessa o corpo. E traz novamente a queda. Cair é um impacto que faz o corpo tremer no mais profundo do corpo! A queda já era certa, mas tinha que experimentar, sentir o pulmão, o estômago, a costela, a coluna, o coração, as escápulas, a cabeça , no impacto com o colchão, reverberarem, tremerem. Perceber a tridimensionalidade do corpo. Uma queda que se permite cair, sentir… e se perguntar: como sobreviver a queda?
Hoje a aula me permitiu cair… e da queda o encontro com a confiança! Confiar no outro, é uma questão de dificuldade, mas estamos em aula.
É muita calma… Calma, é um processo natural
É sobre estrutura?
É sobre leveza?
É sobre peso, força, gravidade?
É sobre corpo, massa, eixo?
É TULE que cai, e flui no percurso, degustando cada segundo de tempo. Um tempo todo seu que permite ao corpo, respirar, pegar e lançar o TULE pro ar novamente… um tempo… um tempo…
Hoje é dia, céu azul, fim de tarde… as horas deixei para lá. Mas o tempo é para sentir. Conviver com céu azul, com vento que toca a pele, com os sons dos pássaros… bem-te-vi… fim de tarde!
E nesse entre, tarde e noite, tudo pode acontecer no caos da cidade do Rio de Janeiro. Ônibus lotado… No entre há caminhos de possibilidade até estabelecer a escuridão da noite.
E nos momentos dos entres. Entre mundos, entre pessoas… tento me permitir conviver, trocar com os corpos ao meu redor. Um entre para se pensar no coletivo. Sobre como a minha ansiedade aumenta ao estar com outras pessoas… sempre fui uma criança que não soube lidar muito com as interações sociais, sou uma bixinha do mato, mas, de certa forma, fui obrigade a descobrir maneiras de ser minimamente sociável, a me adaptar. Sempre busquei na infância, adolescência e agora adulte, focar no meu interior, no meu mundo, por isso também me reconheço como uma pessoa perdida no tempo e no espaço. E dentro do meu mundo não havia espaço para outros, e acho que até hoje não há muito espaço para outros. Minha solitude com natureza, ouvindo o silêncio que é repleto de sons de outras vidas, é meu tesouro.
Queda livre…
vira mundo!
Vira a cabeça!
Vira o corpo!
E o mortal deixa para outro momento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário