O corpo se desmaterializa.
A alma,
Antes presa, se liberta.
A alma voa,
Voa para fora da realida.
O corpo se quebra.
Vai vagando,
A cadela pela rua.
Insana,
Profana,
Prostituta,
Impura.
Lambe, mija,
Goza e chora...
Caminha, caminha...
Sem rumo
Vai a santa cadela pela rua.
As mãos...
Percorrem sobre a pele,
Desenhando as curvas do desejo.
Fazendo-o sentir arrepios
Que te faz gemer de prazer.
As mãos.
Branco,
Cinza,
Preto.
Sem identidade,
O sujeito feito de história
Se perde no concreto Certo da cidade.
Diariamente...
Acordado ou dormindo,
No concreto ou no abstrato,
Na loucura ou na lucidez,
No profano ou no sagrado,
Nosso corpo dança.
Dança o ritmo do caminhar.
Dança o ritmo do correr.
Dança no balanço do ônibus
Dança o ritmo, Sem ritmo, No molejo duro do corpo...
Olhar.
Penetra,
Explora um corpo, uma mente.
Penetra no desejo.
Penetra no prazer.
Observando...
Cada sensação,
Cada estímulo,
Cada arrepio.
Olhar.
Arrepio de morte.
Preso...
Preso à cultura da punição.
Segue o corpo preso.
Preso...
Preso as leis ambíguas e sem garantia. Segue o corpo preso.
Preso, Violentado, Machucado,
O corpo ao frio sente as feridas sangrarem.
Arrepio de morte.
Preso...
Menor. Negro. Pobre. Favelado. Sem direito à vida.
Segue o corpo preso.
Preso...
Preso à desigualdade social. Segue o corpo preso.
Preso...
Preso à sociedade meritocratica, capitalista, neoliberal, que mata, tortura, rouba e cria ilusões nas almas perdidas, que luta pela sua existência.
Segue o corpo preso.
Preso. Preso. Preso.
Talvez o corpo vai sem rumo. Ou com um rumo já decidido, pela moralidade, normalidade e pela ideologia da sociedade capitalista.
E assim vai o corpo sempre amarrado.
Amarrado, pelo tradicionalismo. Amarrado pelas grades abstratas.
Marginalizado pelo desejo de consumo. Preso pelo o não poder viver livre.
Cada corpo. Em seu corpo,
Caminha nesta vida sentindo,
sentindo a solidão.
A solidão de cada alma deixando seus corpos...
Arrepio de morte.