segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Corpo seco

Corpo seco.
Seca, da pele brota feridas
Que expelem sangue
Que escorrem pelo corpo
Libertando a alma.

Sem Sentido, Sentindo

As manhãs
São depressivas...
As tardes doloridas...
Nas noites,
Meu corpo agonizado chora,
Chora pela morte sem coragem...
Os dias são sem sentido.

Sociedade

Talvez a loucura
      seja somente minha.
Não consigo,
Não suporto.
Hipócrita,
Isolente.
Não me aceitam,
Não me enquadro.
Padronizados, robotizados,
Controlados, normalizados.
Vive a sociedade.

Bora se pegar?

Vamos se pegar?
Não importa a hora e o lugar...
Só quero imensamente saciar esse desejo que tenho do seu olhar.
Vamos nos beijar?
Não importa o dia, a hora, nem lugar...
Só quero poder sentir seus lábios tocarem os meus, e podermos senti o gosto louco do prazer.
Vamos se pegar?
Com roupa ou sem roupa...
Só quero sentir seu corpo, e sobre sua pele desenhar os arrepios de desejos, te proporcionando um  êxtase de prazer...
Bora nos pegar... que já demorou..."

Dança, cadê?

Ninguém para essa dança...
Ninguém para me dançar...
Cadê?
Cadê as pessoas?
Pessoas que se movimentam na pura dança...
Pessoas que se  encontram no contato dessa dança, cheio de harmonia...
Cadê o contato?
Contato que atrai os corpos...
Contato que faz transmitir energia, prazer, calor...
Calor que aquece os corpos e se  explode
em movimentos que vão desenhando os sentimentos...
Que vão desenhando os prazeres da vida...
Cadê as pessoas para essa dança?

Teia, lábios, psicodélicos

Sua teia,
Tecida com fios psicodélicos,
Atrai xs loucxs,
Que se trançam nos seus braços,
Desejando seus lábios molhados de veneno.

Infância



Nasci, vivi e estou preste a morrer.
Sentido...
Sentindo...
Sentidos...
Criança, criatura, criativa.
Assim foi de árvores em árvores,
Assim foi de pega-pega, de esconde-esconde, de pega-pega alta, pega-pega baixa, de alegrias e alegrias.
Minha infância a mais perfeita das infâncias.

Nela pude correr, criar e imaginar.

Dela pude me deliciar das frutas direto do pé, da mangueira, da goiabeira, da jabuticabeira.

Ah que doce foi essa infância.

Mas também amarga. Ao mesmo tempo em que corríamos no pega-pega, outros corriam das balas. Corriam da margem do abismo, que se abria engolindo as almas para um caminho sem volta.
Sangue escorrendo, pessoas chorando, a família morrendo. A criança... As infâncias... Viam, assistiam e choravam. Choravam pela perda do primo, do irmão, do pai. Choravam do tiro ouvido na noite passada.

As memórias...
As crianças...

As brincadeiras.
Nas traquinagens, as crianças se distraem, se esquecem das balas, das gotas de sangue que escorrem dos corpos.