Reivindico o direito de falhar no meio do beijo.
De rir durante o gozo. De não querer penetrar nem ser penetrade.
Reivindico o corpo que sente antes de performar.
O toque que não precisa provar nada.
O sexo como escuta, desvio, invenção.
Não sou produto.
Não sou função.
Não sou desempenho.
Sou corpo errante, desejo fluido, presença viva.
Sou a pausa entre o gemido e o silêncio.
Sou o que não entra na pornografia nem no mercado.
Sou o que escapa — e, por isso, insiste.
Rejeito o falo como centro.
Rejeito o macho como modelo.
Rejeito a lógica que transforma prazer em poder.
Quero o sexo como encontro, não como hierarquia.
Quero o corpo como território, não como embalagem.
Quero o gozo como mistério, não como meta.
Que se desfaça o trono.
Que o pau possa descansar
Que a vulva possa respirar.
Que o cu possa gozar sem medo.
Que o toque volte a ser descoberto.
Que o desejo volte a ser nosso.
Nosso e de ninguém.
Livre como a água.
Indomável como o riso.
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