quinta-feira, 12 de junho de 2025

Manifesto Do Desejo Dissidente (parte 2)


Reivindico o direito de falhar no meio do beijo.

De rir durante o gozo. De não querer penetrar nem ser penetrade.

Reivindico o corpo que sente antes de performar.

O toque que não precisa provar nada.

O sexo como escuta, desvio, invenção.


Não sou produto.

Não sou função.

Não sou desempenho.


Sou corpo errante, desejo fluido, presença viva.

Sou a pausa entre o gemido e o silêncio.

Sou o que não entra na pornografia nem no mercado.

Sou o que escapa — e, por isso, insiste.


Rejeito o falo como centro.

Rejeito o macho como modelo.

Rejeito a lógica que transforma prazer em poder.


Quero o sexo como encontro, não como hierarquia.

Quero o corpo como território, não como embalagem.

Quero o gozo como mistério, não como meta.


Que se desfaça o trono.

Que o pau possa descansar

Que a vulva possa respirar.

Que o cu possa gozar sem medo.

Que o toque volte a ser descoberto.

Que o desejo volte a ser nosso.


Nosso e de ninguém.

Livre como a água.

Indomável como o riso.




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